"[…] Depois de considerar essas diversas etimologias, temos em francês a palavra “cauchemar”, vinculada, sem dúvida, ao “nightmare” do inglês [“a égua da noite” - há algo de terrível nessa história de égua da noite]. Em todas elas há uma ideia […] de origem demoníaca, a ideia de um demônio que provoca o pesadelo. Creio que não se trata simplesmente de uma superstição: creio que pode haver - e estou falando com toda a ingenuidade e toda a sinceridade — algo de verdade nesse conceito. […] Tomo qualquer das palavras: digamos “incubus”, latina, ou “nightmare”, saxônica, ou “Alp”, alemã. Todas sugerem algo sobrenatural. Pois bem. E se os pesadelos fossem estritamente sobrenaturais? Se os pesadelos fossem frestas do inferno? Se nos pesadelos estivéssemos literalmente no inferno? Por que não? Tudo é tão estranho que até isso é possível."
- Jorge Luis Borges — bastante sinistro — na conferência O Pesadelo, de 1980, integrante do volume Borges Oral & Sete Noites (Companhia das Letras, 216 págs., R$ 42)
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sinistrosaspectos